A comoditização da idéia.

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Hoje está cada vez mais difícil dizer qual agência é mais criativa, qual tem a idéia mais original ou a sacada mais inusitada. Nem mesmo quem vive o dia a dia da criação pode cravar com absoluta convicção. Se o critério forem prêmios, existem troféus para todos. Tem galo de ouro, leão, coruja, o zoológico inteiro.  E as conquistas são muitas vezes  maquiáveis. Algumas agências brasileiras inclusive conseguiram conquistar o título de “Agency of the Year” em Cannes apenas com leões em mídia impressa, gerando uma certa revolta entre os “gringos”, que argumentavam (com razão) que um filme não podia ter o mesmo peso na pontuação de um anúncio, levando-se em consideração os diferentes graus de complexidade desde a concepção até a execução final da idéia. Sem falar que é muito mais fácil produzir um anúncio fantasma do que um filme. Outras discussões pipocaram no mundo da propaganda e motivaram a criação do “Gunn Report”, uma espécie de ranking que leva em consideração o desempenho das agências nos mais diversos festivais ao redor do globo. Acontece que o critério para a soma desse desempenho também é alvo de polêmica e está longe de ser um consenso entre as agências. Com toda essa dificuldade de avaliação, a idéia foi perdendo o espaço para o lado exato da comunicação. O que passou a interessar é a métrica, que agora chega a ser maravilhosamente instantânea como no caso das ações na internet. No mundo virtual, pode-se analisar a eficácia de uma peça quase em tempo real. Mas nessa hora é preciso lembrar que resultado não exclui criatividade e recorrer ao bom e velho feeling. A intuição de enxergar que uma mensagem nem sempre gera uma resposta rapidamente mensurável, mas pode contribuir para algo muito maior, como a valorização e mudança de cultura a respeito de uma marca. Isso pode não aparecer num gráfico desenhado em 1 mês, mas pode ser fundamental daqui a 20 anos.

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15 de dezembro de 2009
Alexandre Silveira
Por Alexandre Silveira

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